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Fertilizantes organominerais ganham espaço na construção da fertilidade em lavouras de café

Na cafeicultura, os fertilizantes de matriz orgânica devem ser compreendidos como uma ferramenta estratégica para a construção da fertilidade do solo e para maior eficiência no manejo nutricional. A associação entre fonte mineral e matéria orgânica estabilizada favorece a liberação mais gradual dos nutrientes, melhora o ambiente radicular e amplia a interação com a biologia do solo. Em lavouras de café, esse processo se reflete em maior equilíbrio vegetativo, melhor enchimento de frutos e maior uniformidade de resposta das plantas.

Na prática, esse manejo não deve ser tratado como uma simples substituição do adubo convencional, mas como uma estratégia técnica voltada à maior eficiência agronômica. Seu melhor desempenho ocorre quando inserido em um sistema produtivo bem conduzido, com atenção ao perfil físico do solo, manutenção de cobertura nas entrelinhas e monitoramento constante da resposta das lavouras por talhão. A fração orgânica contribui para o condicionamento do solo e para o estímulo à atividade microbiana, enquanto a fração mineral assegura o fornecimento previsível de nutrientes nos momentos de maior demanda do cafeeiro.

Resultados divulgados pela Terra Madre Pesquisa Agronômica, em Alfenas, na avaliação do quadriênio 2022–2025, reforçam esse potencial. Na produtividade acumulada, a testemunha registrou 89,5 sc/ha, enquanto o tratamento convencional 20-00-20 atingiu 116,1 sc/ha. Já o tratamento com organomineral Terra de Cultivo 14-00-14 alcançou 149,7 sc/ha.

No perfil de maturação, o fertilizante 14-00-14 apresentou 40,4% de frutos maduros, contra 21,5% no tratamento convencional, além de reduzir a participação de frutos secos para 22,1%, frente a 34,0%. Na classificação por peneira, o mesmo tratamento atingiu 47,1% de grãos na peneira 17, superando os 44,4% registrados no manejo convencional. O material também indica superioridade operacional do fertilizante de matriz orgânica, com duas aplicações ao longo do ciclo, em comparação às três aplicações do adubo químico convencional. Esse resultado aponta ganhos em eficiência de manejo, racionalização das operações e potencial redução de custos operacionais.

Do ponto de vista da assistência técnica, esses resultados devem ser interpretados considerando as condições específicas de cada ensaio e validados conforme fatores como solo, clima, cultivar, carga pendente e manejo adotado em cada propriedade. Ainda assim, os dados apontam para uma direção consistente na cafeicultura atual: sistemas produtivos cada vez mais alinhados aos princípios da agricultura regenerativa, com foco na construção da fertilidade, na proteção do solo, na manutenção da cobertura vegetal, no estímulo à atividade biológica e no uso mais eficiente dos insumos. Nesse contexto, os fertilizantes de matriz orgânica se destacam não apenas por contribuírem para um manejo nutricional mais equilibrado e integrado ao sistema solo-planta, mas também por representarem uma alternativa economicamente vantajosa ao produtor.

Ao exigir menos aplicações ao longo do ciclo e, ao mesmo tempo, apresentar desempenho produtivo superior ao fertilizante mineral convencional, essa tecnologia reúne atributos importantes para a cafeicultura moderna. Para o cooperado, trata-se de uma solução com potencial para integrar resultado agronômico, eficiência operacional, maior rentabilidade e sustentabilidade no sistema de produção.

Departamento Técnico e de Desenvolvimento de Mercado da Terra de Cultivo